Pages

domingo, 21 de dezembro de 2008

óbtuário


Uma forte pontada inexplicável em meu não tão pulsante coração, um aviso secreto, um ultimo aviso secreto e fatal, talvez uma despedida, uma mentalização como diria Clementina, um ultimo sinal.
Senti o aviso, mas soube antes de todos, mais um parente se foi, desta vez o topo da árvore genealógica, um enfarto fulminante e mortal.

Minha pobre avó, que correu atrás de mim tanto para me bater com cipó de cansanção lá em Serrinha quando eu era criança.
Mas me lembro da nossa ultima conversa, em um outro funeral, o do meu primo.
Ela perguntou sobre mim, disse que se sentia bem por eu estar trabalhando e estudando, e que não queria que eu fosse para guerra fazer reportagens.

Então ela se foi neste domingo.

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

(Canto para minha morte – Raul Seixas)

Um comentário:

  1. Minha avó tbm morreu assim. [

    Olha, eu odeio esse negocio de pesames, condolencias.... etc.

    Todo mundo morre. A gente deveria estar preparado pra isso e acho ate que deveriamos ser como algumas civilizações que eu considero muito mais evoluídas por tratarem a morte como uma passagem e nao como o fim.

    Então, a um bom fim! Para todos nós!

    Te adoro. Garoto RUDE.

    ResponderExcluir

palavras ...